Durante muito tempo, a experiência de ser mulher foi marcada pelo silêncio, sobretudo em contextos rurais e tradicionais, onde falar do corpo, das necessidades ou da dor era sinónimo de confronto e coragem. Mas quando as mulheres se encontram, ouvem-se e reconhecem-se, algo poderoso acontece: o silêncio transforma-se em fala, em acção e em movimento.
Foi com esse espírito que, no dia 7 de Maio, a Kama Mwezi promoveu uma roda de conversa com matronas do distrito de Palma, como parte das acções em torno do lançamento oficial do Programa de Apoio à Dignidade Menstrual, apoiado pela ExxonMobil. A actividade contou com a participação de Yara Ngomane, Analista Social, Ana Baptista, Especialista em Género, e Quibibi Alexandre, Oficial de Engajamento Comunitário da Kama Mwezi. Teve como objectivo criar um espaço de escuta activa, troca de saberes e partilha de experiências entre mulheres que têm um papel fundamental nas comunidades.

“As matronas são guardiãs do cuidado, da escuta e do saber local. São elas que acompanham as raparigas desde muito novas. Sem elas, não há transformação que se sustente.” — Ana Baptista, especialista de género da Kama Mwezi
As matronas partilharam os desafios que enfrentam no acompanhamento das raparigas, como a falta de produtos menstruais, a desinformação e o estigma social ainda associado à menstruação. Mas ali, naquele círculo de mulheres, o que se viu foi força. Vontade de mudar. E um profundo desejo de fazer parte da solução.

“Muitas vezes queremos ajudar, mas não sabemos como. Crescemos a acreditar que é normal faltar a escola por causa da menstruação, mas agora já entendemos que não, é importante a rapariga ir à escola e não se isolar do convívio familiar e social.”
— Matrona participante da roda de conversa
Na Kama Mwezi, sabemos que a dignidade menstrual não se resume apenas de acesso a produtos menstruais ou de higiene. Trata-se de acesso à dignidade, à liberdade de escolher, de entender o próprio corpo e ocupar espaços onde antes não se ousava estar. Trata-se de devolver às mulheres aquilo que sempre foi delas: a voz, a presença e a autonomia.
Acreditamos que a mudança começa no quotidiano: no acesso à educação menstrual, no respeito pelas escolhas de cada mulher, e no reconhecimento de que todas têm algo a ensinar.
O futuro que queremos é aquele onde cada mulher se sente segura para existir por inteiro, com orgulho, com força e com liberdade.
